Introdução

Este relatório é produzido vizando um estudo exploratório da distribuição de sistemas de Geração Distribuída ao longo do território nacional, com foco em sistemas residenciais.

No relatório consta como os dados foram obtidos, além de gráficos e análises breves. Para consultar o tratamento dos dados, buscar os cógigos fonte no GitHub, incluindo o .Rmd que gera esta página.

Ainda está em elaboração

Dados

Informações sobre sistemas instalados

Os dados referentes aos sistemas instalados são obtidos do registro de micro e minigeradores distribuídos da ANEEL, disponível em http://www2.aneel.gov.br/scg/gd/VerGD.asp.

Para obter os dados, é utilizada a função getANEELData(), que desenvolvida com base no código do usuário hrbrmstr neste post do stack overflow . A ajuda na plataforma foi útil, uma vez que a página contem HTML mal formatado, fazendo com que o uso de bibliotecas como rvest não fosse suficiente para a realização do web scraping.

A função iteraSiteANEEL() permite a leitura das tabelas do site da ANEEL de maneira iterativa. Inicialmente ela usa getANEELData() de modo a verificar o número de páginas a serem iteradas, considerando o número de total de usinas e, em seguida, visita todas as páginas, obtendo dados das tabelas. Ao final, um arquivo .RDS é salvo com as informaçãos obtidas.

Informações adicionais sobre localidades

Para análises em que são necessários dados com localidades mais específicas do que o da cidade, os dados de CEP são cruzados com os dos bancos de dados disponíveis em http://cep.la/baixar. Ver Arquivo ProcessaCEP.R. Aqui, ainda há de ser feita uma breve automação de baixar os arquivos e extraí-los.

Crescimento da GDFV

Inicialmente, podemos avaliar o crescimento da GDFV no Brasil, como um todo. Pode ser visto, a seguir, que há um crescimento próximo de exponencial. De fato, utilizando-se de regressões, ou da própria análise visual, pode-se verificar que, atualmente, a cada ano, o total de potência instalada no Brasil multiplica por 3.

Classes dos prossumidores

É interessante compreender, também, quais as classes de consumidores utilizam mais geração distribuída fotovoltaica. A figura a seguir mostra que a maior parte das unidades de GDFV instaladas são por consdumidores residenciais e estes também são responsáveis por uma grande fração da potência instalada, sendo um pouco menor do que a de sistemas comerciais. Pode-se verificar que a participação relativa destas duas modalidades não mudou muito ao longo dos anos.

Outro ponto interessante que a figura mostra é a do aumento da participação de consumidores rurais, desde 2017, e da diminuição da participação de consumidores do poder público.

Uma vez que foi verificada a grande participação de sistemas residenciais, o restante deste documento irá tratar apenas destes, deixando os outros fora do escopo.

Dinâmica por estado da GDFV residencial

Os gráficos interativos a seguir permitem a visualização da dinâmiga da GDFV residencial por estados. Se for de interesse analizar apenas um estado, realize um double click em sua legenda e depois ajuste a tela.

É interessante observar que a maioria dos estados segue um comportamento crescente similar a exponencial. Entretanto, o estado do Paraná apresenta um comportamento singular, com uma elevada aceleração em 2019, seguida por uma estagnação do crescimento. Isto deve ser análisado mais a fundo.

A seguir, pode-se ver como é a distribuição espacial da potência instalada de sistemas de GDFV entre estados.

Cidades

O mapa interativo a seguir permite visualizar quantos sistemas há, em cada cidade do Brasil que possuem pelo menos um sistema registrado.

Cidades de destaque

A tabela a seguir mostra as 10 cidades com mais sistemas instalados junto com as potências totais instaladas nestas cidades.

municipio uf unidades_instaladas potencia_instalada
Rio de Janeiro RJ 2519 13.93298
Uberlândia MG 1563 6.96819
Brasília DF 1444 9.75469
Belo Horizonte MG 1346 6.50401
Campo Grande MS 1303 7.01823
Fortaleza CE 1256 9.62978
Goiânia GO 1235 8.70422
Campinas SP 1212 5.33077
Cuiabá MT 1201 9.38834
Teresina PI 1176 9.20478

Análise das Maiores Capitais

São avaliadas, a seguir, as distribuições dos sistemas instalados por bairro nas mais importantes capitais: Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília

Rio de Janeiro:
Bairro potencia_instalada_percentual sistemas_instalados_percentual
Barra da Tijuca 18.60 12.98
Campo Grande 9.34 10.68
Recreio dos Bandeirantes 6.93 7.07
Taquara 3.26 3.61
Freguesia (Jacarepaguá) 3.14 3.89
Brasília:
Bairro potencia_instalada_percentual sistemas_instalados_percentual
Setor de Habitações Individuais Sul 25.30 19.67
Setor de Habitações Individuais Norte 12.84 14.40
Park Way 12.40 12.19
Setor Habitacional Jardim Botânico 11.86 14.06
Setor de Mansões Dom Bosco (Lago Sul) 4.59 3.25
Belo Horizonte:
Bairro potencia_instalada_percentual sistemas_instalados_percentual
Bandeirantes (Pampulha) 12.77 4.98
São Luiz 4.92 2.82
Mangabeiras 4.78 3.42
Belvedere 3.81 2.23
Buritis 2.95 3.12

Pode-se verificar que, para as 3 capitais analisadas, há uma concentração de potência instalada e de sistemas em bairros específicos de alta renda. Isto pode ser problemático, uma vez que, quanto mais dispersa é a geração distribuída, menores são seus impactos negativos nas redes elétricas, e maiores os positivos.

Outra questão que estes dados apresentam é a de que o atual modelo de compensação da GD é mais atrativo e vantajoso aos consumidores que possuem mais riquezas. Considerando que os potenciais benefícios da geração distribuída não pagam o preço que os geradores recebem em desconto na conta de luz, o que se dá principalmente pelo fato de que o recurso solar é imprevisível e variável, então, verifica-se que a atual situação da geração distribuída faz, indiretamente, uma transferência de renda dos menos favorecidos para os mais ricos.

Esses dois pontos sugerem que deve-se repensar o modelo da GD no Brasil.